A maconha que será vendida de maneira oficial pelo governo uruguaio após a legalização da venda no país custará US$ 2,50 por grama, anunciou o diretor da Junta Nacional de Drogas, Julio Calzada. Segundo ele, o preço está “de acordo” com o praticado no mercado negro, e foi estabelecido para não permitir desvios do produto, segundo a agência Télam.

O preço foi fixado de maneira que “não fique nem muito acima nem muito abaixo do atual, para não permitir desvios do produto de um mercado para o outro”, disse Calzada.

O projeto de lei aprovado pela Câmara uruguaia na semana passada permite que os maiores de 18 anos comprem um máximo de 40 gramas de maconha por mês em farmácias. Também foi liberado o cultivo de até seis plantas e a criação de clubes de maconha. Nos clubes, cada pessoa registrada poderá gastar até US$ 100 em maconha adquirida legalmente.

O governo pretende estabelecer um sistema de licenças para que as farmácias vendam o produto.

“Esse projeto busca regular um mercado que hoje está totalmente desregulado e controlado pelo narcotráfico, um mercado opaco do qual participam anualmente cerca de 120 mil pessoas”, disse o diretor do órgão. “Hoje toda a cadeia de valor está nas mãos do narcotráfico. O estado não tem ingerência e isso permite que eles ganhem US$ 30 milhões por ano em nosso pais, dinheiro usado posteriormente para reproduzir os mecanismos vinculados ao tráfico com outras drogas e atividades criminosas.”

Calzada acrescentou que a lei “não cria um mercado” de consumo de maconha, e sim “identifica a existência deste mercado e estabelece marcos regulatórios que permitem que ele deixe de ser opaco e seja transparente, limitado, regulado e controlado pelo Estado para o benefício da sociedade.”

Ele também afirmou que o turismo para o consumo de maconha no país é uma preocupação do governo, e prometeu que as políticas adotadas não irão prejudicar outros países. Será feito um registro de usuários para que apenas os moradores do Uruguai tenham acesso à compra oficial de maconha.

G1*