O Ministério Público estadual instaurou um inquérito civil público para apurar denúncia do Sindicato dos Médicos do Estado da Bahia (Sindimed) contra o Hospital Espanhol por desassistência aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e da rede privada.
Os médicos paralisaram o serviço de emergência no dia 18 e desde então, segundo o sindicato, a unidade não tem recebido novos pacientes. “O hospital está sem atendimento, só está dando assistência aos pacientes internados neste momento. Mas e o futuro? Alguém tem que se posicionar”, diz Francisco Jorge Magalhães, presidente do Sindimed.
Os médicos paralisaram o atendimento em decorrência das condições precárias de trabalho que, segundo a categoria, oferece riscos para pacientes e funcionários. Além de haver um desfalque na equipe médica e atrasos nos diagnósticos dos setores de radiologia, faltam materiais, equipamentos e medicamentos. Os salários dos médicos também estão atrasados.
Magalhães acredita que o momento atual do Espanhol é consequência de uma crise financeira: “o hospital tem hoje uma dívida de quase R$ 6 milhões. São dívidas trabalhistas, dívidas com fornecedor, e pela construção do prédio ao lado”.
O caso está sendo apurado pelo promotor Pedro Araújo. No último dia 24, o Sindmed foi chamado para uma audiência. “Nós cobramos do Ministério Público que convoque as partes a resolver logo este problema. A nossa preocupação, além da questão trabalhista, é a assistência não só à população pública, mas também a privada. Nós externamos esta preocupação na audiência”, explica o presidente do sindicato.
O hospital informou, por meio de sua assessoria, que o conselho administrativo está reunido na tarde desta segunda-feira (29) para avaliar a denúncia do Sindimed.
Em fevereiro, os médicos já haviam paralisado as atividades por quase 20 dias. Na ocasião, representantes da Real Sociedade Espanhola de Beneficência, que administra a unidade médica, se comprometeram a apresentar uma nova escala com três plantonistas por dia para a emergência do hospital em até 30 dias, além de reafirmar a intenção de manter o pagamento dos salários no prazo estabelecido pela lei.
Com informações Correio