Baiana, que mora na Espanha, relata ‘pânico’ de não conseguir proteger sogra idosa e sozinha na Itália

Foto: Reprodução / Quenia - Arquivo Pessoal

Na noite desta sexta-feira (27) uma soteropolitana, que se identificou como Quenia Alcantara, procurou a redação do Bahia No Ar para desabar sobre a situação que ela e a família estão enfrentado por conta da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). A baiana, vive há dois meses na Espanha, com o marido e o filho, que são italianos.

No entanto, um dos maiores dilemas, que tem “tirado o sono” de Quenia e do marido, é a distância da sogra de 72 anos, que após a mudança do casal e do neto para a Espanha, continuou residindo na Itália. A idosa mora sozinha e por fazer parte do grupo de maior risco, conforme destaca a Organização Mundial da Saúde (OMS), ela deveria receber alguns cuidados específicos, a exemplo de não sair de casa para realizar nenhuma atividade.

No entanto, por não ter quem vá ao mercado, por exemplo, a idosa tem se arriscado em sair nas ruas, mesmo com as medidas protetivas adotadas no país. A Itália, inslcusive, só na quinta-feira (26) registrou 919 mortes em decorrência do novo coronavírus, conforme dados da Agência de Proteção Civil do país; esses números representam recorde mundial de óbitos ligados à COVID-19, em um único dia.

Quenia disse que eles ainda tentaram comprar a passagem, mas o voo foi cancelado, tendo em vista que tanto na Espanha, quanto na Itália, entre as medidas de combate ao novo coronavírus, está a determinação por decreto de que ninguém entra e ninguém sai de seus respectivos países.

“O número [de casos da doença] aqui [Espanha] e lá [Itália] tem crescido muito rápido. Mas, o problema é ela sair pro mercado sozinha, se estivesse aqui não precisava sair, iriamos nós, que somos jovens. E ela, por ser uma idosa frágil, não consegue comprar muito, pelo peso. Pesa 48 kilos”, relata.

Em termos geográficos, Quenia, o marido e o filho estão separados da idosa a uma distância de 1.979,5 km, em linha reta (rota aérea), entre o centro geográfico da Itália e o centro da Espanha. Ou seja, para se reencontrar, a mulher teria que viajar 19 horas e 15 minutos, pois o intuito da baiana era que a sogra vinhesse para sua residência receber os cuidados necessários.

Ainda segundo Quenia, as autoridades afirmam que, no momento, não é possível fazer nada. Também não é oferecido um local seguro (abrigo) para acomodar esses idosos que vivem sozinhos em suas residências.

Rotina

Quenia também detalhou como tem sido a rotina na Espanha: “Aqui não saio de casa, só o meu marido, pra comprar alimentos. É proibido sair os dois juntos. As vezes fico na janela pra respirar”.

Diferente do Brasil, que as medidas de isolamento social, até o momento, são recomendações, na Espanha e na Itália as autoridades determinaram que as pessoas não podem sair de casa, exceto para comprar alimentos e medicamentos, e mesmo assim de maneira individual, sem nenhum tipo de contato físico, sob pena de pagamento de multa e até detenção, caso as regras não sejam obedecidas.

Quenia enviou um vídeo que ilustra o que tem vivido diariamente nesses últimos dias.

Como medida de conter o “pânico” instalado pelo distanciamento social, a baiana pontuou: “todos os dias saímos nas janelas para bater palmas, toda Espanhã”, disse.

Na Espanha, nesta sexta-feira (27), o número de mortes voltou a subir. Nas últimas 24 horas, foram registrados 769 falecimentos (o recorde havia sido entre a terça e a quarta-feira, com 738 mortes). Ontem (26), o registro era de 655 óbitos. No total, o país já confirmou 4.858 falecimentos, ficando atrás apenas da Itália, nesse quesito.

O Ministério da Saúde informou que são 64.059 contaminados pela doença. Destes, 4.165 estão na UTI e outros 9.357 já se recuperaram.

Mensagem aos brasileiros

Com poucas palavras, mas bastante emocionada, Quenia rogou: “gostaria de pedir orações a todo Brazil pelos idosos da Itália e Espanha”, e acrescentou, “se cuidem”.

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