De acordo com o estadunidense “The Wall Street Journal“, os executivos da Vale receberam um e-mail anônimo, no dia 9 de janeiro deste ano, que continha no conteúdo algumas advertências referentes a segurança das barragens da companhia, duas semanas antes do desastre com rejeitos de mineração de Brumadinho, que aconteceu em 25 de janeiro e deixou cerca de 270 mortos.

Ainda segundo o estadunidense, o texto do e-mail levou o executivo-chefe da empresa a procurar a identidade do autor e definir essa pessoa de “um câncer”, conforme consta em uma ocorrência policial.

Autoridades avaliam a resposta do então executivo-chefe da Vale, que deixou o posto em março. Elas também investigam se uma cultura de retaliação na companhia contribuiu para o colapso da mina, situada em Córrego do Feijão.

Um porta-voz afirmou que o e-mail era genérico e não trazia evidências, além de rejeitar a existência de uma cultura de retaliação na companhia. Ele também informou que os diretores-executivos da mineradora nunca tiveram conhecimento sobre um risco crítico ou iminente na barragem antes do colapso.

O e-mail anônimo, intitulado “A Verdade”, foi reproduzido em parte no documento policial. O trecho não menciona a barragem que ruiu em Brumadinho cerca de duas semanas depois.

“Nós estamos enfrentando grandes desafios pela frente, nossas operações não têm o nível mínimo adequado de investimento, estamos com falta de pessoal nas áreas de operação, manutenção e engenharia e eles são mal remunerados…o equipamento está quebrando, as barragens estão no seu limite”, relatou a pessoa na mensagem.

No domingo seguinte após receber o e-mail, executivo-chefe da Vale enviou alguns e-mails a três colegas, para determinar que descobrissem quem havia sido o autor da mensagem.

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