Ouvinte relata transtorno de turistas argentinos, que estão em Camaçari, ao tentar voltar ao país

Foto: Reprodução

Durante a segunda edição do programa Bahia No Ar (Rádio Sucesso 93.1), desta quarta-feira (25), um ouvinte de prenome Roque, de Arembepe, ligou para fazer um apelo com relação ao transtornos que alguns turistas argentinos, situados em Camaçari, estão passando para conseguirem voltar ao seu país, devido a pandemia do novo coronavírus.

Segundo Roque, um grupo foi criado no WhatsApp, e é através desse mecanismo que os argentinos alojados em distintos pontos da Bahia estão mantendo contato uns com os outros.

“Nós estamos com alguns problemas com alguns Argentinos que vieram pra o Brasil, inclusive, eu tô com alguém aqui que veio desde o dia dez [de março]. Do dia quatorze [de março], em diante, eles estão guardados, presos. Nós conseguimos um grupo de WhatsApp com vários argentinos que estão na Bahia, não tem ninguém que diz nada. A Latam [companhia aérea que os turistas compraram a passagem de retorno] suspendeu o voo do pessoal”, relata.

Roque diz ainda que após contatar o Consulado da República Argentina, em Salvador (situado na Avenida Centenário), as orientações passadas são que cada um busque uma forma individualizada para tentar voltar à Argentina.

“A resposta do Consulado é que cada um tem que se virar, ir para o aeroporto, de qualquer jeito, tentar encontrar qualquer voo que vá por Foz do Iguaçu [onde está localizado o Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu – Cataratas].  Só que lá em Foz do Iguaçu já tem a informação, pelo grupo do WhatsApp de pessoas que estão lá presos, que eles não dão nenhuma satisfação”, acrescenta.

Os argentinos, conforme destacou Roque, estão em localidades da Costa de Camaçari como Arembepe, Guarajuba e Itacimirim.

A turista, que está instalada na residência de Roque, identificada como Beatriz, também fez suas ponderações.

“Eu tenho passagem para o dia trinta [de março], só que eles cancelaram o voo e eles não botam nenhuma mensagem certa, todo dia vão mudando a mensagem. O Consulado falou que eu tenho que ir no aeroporto e viajar por Foz do Iguaçu para cruzar a fronteira e conseguir um ônibus para Buenos Aires, só que é muito perigoso, porque imagina, eu estou aqui isolada, não estou com ninguém, não tenho nenhum sintoma, estou bem de saúde, graças a Deus. Mas, no aeroporto, sem álcool em gel, sem luvas, sem máscaras, sem nada é o mesmo que está na boca do lobo”, desabafou Beatriz.

Em seguida, Roque voltou a linha e salientou que existem crianças e até idosos nessa situação, e que os turistas já estão passando por algumas necessidades básicas em decorrência da falta de dinheiro e alojamento para ficar.

“Eles [Consulado] não faz caso, não respondem direito, tem muitas pessoas com crianças, idosos que já estão com medo, desesperados, pessoas que já não tem dinheiro para pagar hotel e as empresas aéreas não estão colocando em hotel, não estão dando assistência nenhuma, estão ‘a ver navio’. Ela [Beatriz] ainda tem um local seguro, que é minha casa, e pessoas que não tem nem lugar de ficar mais, nem dinheiro para comer?!”, relata.

Ao ser questionada sobre a data que chegou ao Brasil e qual foi a recomendação passada pelo Consulado Argentino em Salvador, Beatriz respondeu: “Eu tenho do dia dez de março [data de chegada ao Brasil] até o dia trinta [de março]. Porém, eu não tenho prioridade, porque tem pessoas que já perderam o voo e estão dando prioridade para essas pessoas, eu ainda tenho até o dia trinta, mas a companhia já falou que cancelou”. “Eles [Consulado] falaram que eu poderia fazer um voo de dez horas com duas paradas, duas horas em Guarulhos, São Paulo, e oito horas no aeroporto Chávez de Lima [Aeroporto Internacional Jorge Chávez], do Peru. Eu acho que não deveria ter escalas, a pessoa tem que ir voo direto”, expandiu.

A redação do Bahia No Ar tentou entrar em contato com o Consulado da República Argentina, em Salvador, por telefone, e até o fechamento desta matéria não conseguiu retorno.

Conforme orientou o radialista Roque Santos, a Secretaria de Turismo de Camaçari (Setur), bem como a Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania (Sedes) também serão acionadas.

 

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