Quem me acompanha na rádio sabe que, na última sexta-feira, eu toquei num assunto que está mexendo com os bastidores da política baiana: a briga pública entre Geddel Vieira Lima e Luiz Caetano. E, olha, o buraco é mais embaixo do que muita gente imagina.
No sábado à noite, recebi uma ligação de uma figura importante dentro do PT. A pessoa me disse, com todas as letras, que esse racha, esse suposto descumprimento de acordo entre Caetano e os Vieira Lima, não é bom para ninguém. E o pior: envolve diretamente o governador Jerônimo Rodrigues e o senador Jaques Wagner — dois dos nomes mais fortes da base do governo na Bahia.
Geddel perde a paciência e parte pro ataque
Tudo começou com uma entrevista de Osvaldinho Marcolino, onde ele afirmou que Caetano só cumpriu 20% do que foi acordado. A partir daí, Geddel – mandatário do MDB na Bahia – começou a disparar críticas duras em seu perfil no Instagram. O tom não foi leve. Ele fez várias postagens, questionando diretamente decisões do governo Caetano em Camaçari.
Uma das primeiras críticas foi sobre a nomeação de Patrício Oliveira como secretário de Turismo. Geddel quis saber: quem indicou? Tem relação com financiamento de campanha? Foi direto.
E não parou por aí. Ele afirmou que há planos para liberar a construção de um hotel em uma lagoa — o que, claro, levanta dúvidas ambientais e jurídicas. Também relembrou que Caetano, ainda em campanha, prometeu revisar o PDDU (Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano). E agora? Vai rever ou já surgiram outros interesses?
Encosta das Dunas e o tal do FF
Geddel ainda acusa que uma área pública, chamada de Encosta das Dunas, teria simplesmente “desaparecido” e virado parte de propriedade privada — algo em torno de 1.500 metros quadrados.
E se tem alguém que aparece com força nesse rolo todo é Fábio Fonseca, identificado por Geddel apenas como “FF”. Segundo ele, FF “faz chover em Guarajuba” e tem tanta influência que até Caetano “treme”. Geddel quer saber quem é FF de verdade — e deixa claro que está disposto a ir até o fim pra descobrir.
Em uma das postagens, uma seguidora comentou que “Caetano nunca foi coisa boa, não seria agora”, e Geddel respondeu na lata: “Tem toda razão”.
Geddel chama o MP e manda recado pra Jerônimo e Wagner
Mas Geddel não ficou só na crítica pública. Em todas as postagens, ele marcou o Ministério Público, a Secretaria de Meio Ambiente da Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues e o senador Jaques Wagner. Isso deixa claro que ele não quer apenas chamar atenção — está mandando um recado direto não só pra Caetano, mas também pra Jerônimo e Wagner.
É bom lembrar: essa briga não é só entre Caetano e Geddel. Quando nomes como Jerônimo e Wagner entram na história, a mensagem de Geddel fica evidente. Ele quer mostrar que Caetano não cumpre com a palavra. E mais: Geddel só topou fechar acordo político para apoiar Caetano porque teve Jerônimo e Wagner como avalistas. Por isso, faz questão de marcar os dois em todas as postagens. Inclusive, Osvaldinho falou isso durante a entrevista: que Geddel teria ligado pra Wagner antes de bater o martelo no apoio.
Estamos falando de uma crise exposta, que envolve figuras de peso e que pode se desdobrar ainda mais. E aqui, você sabe: estou de olho. Porque não é só política — é sobre palavra, compromisso e responsabilidade pública.


