Hoje quero falar com você, mas antes quero que assista a este corte da entrevista que fiz ontem, ao lado de Lorena, com a professora Angélica. ASSISTA O VÍDEO!
Antes de mais nada, longe de mim querer ser o dono da moral. Mas eu continuo acreditando no ser humano e na boa política. Já fui candidato e não abrirei mão dos meus princípios. Escrevo este artigo ciente da repercussão e das minhas responsabilidades, mas não posso ser omisso nem deixar de emitir minha opinião. Vamos lá:
Na conversa, ficou evidente algo que todo mundo sabe, mas que nem sempre é falado abertamente: na política, adesões e rompimentos são comuns. O aliado de hoje pode ser o adversário de amanhã, e aquele adversário que ontem combatíamos pode se tornar um aliado estratégico no futuro. Isso é natural e acontece em qualquer lugar do Brasil. Mas há limites.
Angélica e sua trajetória política
A professora Angélica, apesar de jovem na vida pública, já transitou por quase todos os grupos políticos de Camaçari. Já se declarou “independente”, já esteve com Caetano, depois mudou para o lado de Elinaldo e, na eleição passada, foi vice de Flávio Matos, compondo a chapa do time azul. Agora, os bastidores indicam que Angélica estaria de malas prontas para retornar ao lado de Caetano.
O namoro com Luiz Caetano
Segundo ela própria, esse movimento começou ainda no intervalo entre o primeiro e o segundo turno de 2024. Mesmo como vice de Flávio, Angélica relatou que recebeu uma ligação do governador Jerônimo Rodrigues, que teria feito propostas para que aderisse à candidatura de Caetano.
Naquele momento, a disputa era acirradíssima: Caetano havia vencido o primeiro turno com uma diferença de apenas 500 votos, resultado que surpreendeu o PT no estado. A jogada do governador seria enfraquecer Flávio, tirando-lhe a vice em plena reta final.
Além disso, Angélica revelou que Jerônimo também se reuniu presencialmente com o esposo dela, Luiz Góes, e com o genro, Aurélio Borges, para avançar nas conversas.
Bastidores e denúncias
Fontes ligadas a mim afirmaram que, além de promessas políticas, houve ofertas de contratos no estado para o esposo da professora, caso ela aceitasse romper com o time azul, além da promessa de uma secretaria em um eventual governo petista em Camaçari.
Se confirmadas, tais práticas configuram ilegalidade. A Lei nº 9.504/1997, em seu artigo 41-A, proíbe de forma clara qualquer tipo de compra de apoio ou oferta de vantagens em troca de posição política. Além disso, caberia discussão jurídica sobre abuso de poder político e econômico.
O limite entre a política e a ética
Eu sempre defendo que a política é feita de diálogo e alianças. Mas é preciso traçar uma linha entre o que é articulação legítima e o que passa a ser jogo sujo. Vale tudo pelo poder? Essa é a pergunta que precisa ser feita.
E quero deixar claro: apesar de todas essas movimentações, eu, Roque Santos, não acredito nesse tipo de política onde a pessoa muda de acordo com a convivência ou conforme quem está no poder. O eleitor merece respeito e coerência, não um jogo de interesses pessoais.
Quando a máquina pública é utilizada para cooptar adversários, não é só o equilíbrio eleitoral que fica comprometido: é a confiança da população na democracia. O eleitor de Camaçari, que vota acreditando em projetos, acaba se sentindo traído quando percebe que bastidores e cargos podem valer mais que compromissos assumidos.



