Coronavírus: nova metodologia para detecção triplica número de casos

Em apenas um dia, 242 mortes

Foto: Getty Images

Segundo autoridades chinesas, a mudança de metodologia visa dar mais celeridade ao tratamento e ao isolamento dos pacientes infectados com a doença, além de ampliar o escopo de quem precisa ser monitorado por eventuais sintomas.

Desde o início de fevereiro, o total de novos casos registrados diariamente na província não passava de 4 mil e parecia estável. Na época a confirmação dependia de um exame da secreção respiratória, cujo resultado demorava ao menos dois dias e tinha uma acurácia baixa, segundo o jornal The New York Times.

Nessa quarta-feira,13, quando passou a servir de confirmação também o diagnóstico clínico associado a um exame de imagem do pulmão, o montante saltou para 14.480 novos casos registrados. Desse total, 13.332 foram identificados a partir do novo método.

O surto do novo coronavírus (rebatizado de covid-19) surgiu em dezembro na capital de Hubei, Wuhan, que está há semanas sob quarentena. A província concentra 48.206 dos quase 60 mil casos registrados ao redor do mundo até agora, o que corresponde a 80% do total.

Segundo a Comissão Nacional de Saúde Chinesa, das 242 mortes registradas na quarta-feira, 135 foram associadas à doença por meio do novo método de diagnóstico. Caso a mudança não tivesse sido adotada, o número de 107 mortes já seria um recorde.

O avanço da doença na China, onde matou mais de 1.350, tem ampliado a pressão sobre o Partido Comunista Chinês (PCC), à frente do regime autoritário que comanda o país.

Uma das respostas à população tem sido a troca maciça de autoridades — como, por exemplo, a do secretário do Partido na província, a mais alta autoridade a cair até agora, que foi substituído pelo chefe do partido em Xangai. O secretário do Partido em Wuhan também deixou o cargo.

Como está o avanço da doença ao redor do mundo?

A OMS havia afirmado que era muito cedo para prever o auge ou o fim desta crise de saúde pública. “O surto pode ainda tomar qualquer direção”, afirmou o diretor-geral da instituição.

Na terça-feira, um epidemiologista chinês de referência, Zhong Nanshan, afirmou que o surto deve passar por um pico neste mês antes de arrefecer.

Há quatro possíveis vacinas em fase de desenvolvimento pré-clínica, segundo a cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan.

Especialistas da OMS conseguiram rastrear a origem da transmissão do vírus em 433 dos 441 casos registrados fora da China, em duas dezenas de países.

Metade deles está ligada ao cruzeiro Diamond Princess, que está sob quarentena na costa de Yokohama, no Japão.

O total de casos no navio subiu para 218, após a confirmação recente de mais 44 infectados. Há cerca de 3,7 mil pessoas na embarcação, e quem está doente é levado para hospitais da região.

Cruzeiros têm enfrentado resistência de países que temem uma eventual disseminação da doença. O MS Westerdam, com mais de 2 mil pessoas a bordo, atracou no Camboja depois de ter sido barrado em cinco portos no Japão, em Taiwan, nas Filipinas, no território americano de Guam e na Tailândia.

O avanço do novo coronavírus tem começado a afetar grandes eventos para além da China, onde parte das cidades cancelou aulas, restringiu jornadas de trabalho e paralisou o transporte público. A etapa chinesa da nova temporada de Fórmula-1 foi adiada.

Na Espanha, organizadores cancelaram o maior evento do mundo de telefonia móvel, o Mobile World Congress (MWC), que atrai milhares de pessoas ao país.

Hong Kong e Cingapura adiaram eventos relacionados ao rúgbi. E o Centro de Controle e Prevenção de Doenças nos Estados Unidos disse estar se preparando para o momento em que o novo coronavírus “fincar o pé nos EUA”. Trezes casos foram confirmados no país até agora.

Sem casos registrados até agora, o Brasil repatriou 34 cidadãos que estavam em Wuhan. Eles estão sob quarentena na base de Anápolis (GO), e não apresentaram sintomas ligados à doença, como febre, tosse e falta de ar.

Fonte: BBC

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