Morreu nesta terça-feira (13), aos 89 anos, o ex-presidente do Uruguai, José “Pepe” Mujica. Ele governou o país entre 2010 e 2015. A informação foi confirmada pelo atual presidente uruguaio, Yamandú Orsi, visto como um dos herdeiros de Mujica.
Em abril do ano passado, ele revelou que estava com um tumor no esôfago em estágio avançado. Na ocasião, o ex-presidente também disse que seu quadro de saúde era complexo, porque já sofria, de uma doença imunológica há mais de 20 anos que afetou, entre outras coisas, os seus rins, o que gerou dificuldades para o tratamento.
Em outubro, Mujica fez um discurso em tom de despedida ao afirmar “estar perto de se retirar para o lugar de onde não se volta” em primeira aparição pública desde que voltou para casa do hospital.
José Alberto Mujica Cordano nasceu em Montevidéu, em 20 de maio de 1935. Nos anos 1960, tornou-se membro da guerrilha Movimento de Libertação Nacional – Tupamaros. O grupo ganhou notoriedade, antes da instalação da ditadura militar uruguaia, em 1973, por assaltar bancos e distribuir comida e dinheiro roubado aos pobres.
De acordo com o G1, durante sua atuação na clandestinidade, Mujica foi ferido quatro vezes em confrontos com forças policiais. Escapou duas vezes da prisão até ser recapturado definitivamente, em 1972. Ele era um dos presos considerados “sequestrados” pelo regime — e seria executado sumariamente caso os Tupamaros retomassem as atividades de guerrilha. Ao todo, passou 14 anos de sua vida atrás das grades.
Em 1985, Mujica foi libertado após a promulgação de um decreto de anistia. Entrou para a política institucional, ajudou a fundar o partido de esquerda Movimento de Participação Popular (MPP) e foi eleito deputado em 1994.
Cinco anos depois, chegou ao Senado e, em 2005, com a chegada à Presidência de seu correligionário Tabaré Vázquez (1940–2020), foi nomeado ministro da Agricultura.
Mujica foi eleito sucessor de Vázquez e assumiu a Presidência em 2010, governando até 2015. Em sua gestão, o gasto social saltou de 60,9% para 75,5% do total do gasto público. Com informações do G1.


