Não se trata de prever o futuro nem de ter uma bola de cristal. O que está em curso na Bahia é fruto da realidade sentida por milhões de baianos no dia a dia: o povo cansou do PT. Depois de quase duas décadas no poder, o partido que prometia transformação se tornou sinônimo de estagnação, violência, atraso educacional e colapso na saúde pública.
Jerônimo Rodrigues, atual governador, é apontado por muitos como o pior gestor da história da Bahia. Sua marca de governo é o marketing digital de faz de conta, recheado de propagandas regionais que tentam mostrar um estado inexistente. Mas a verdade que ecoa nas ruas, nos bairros e no interior é outra: um governo fraco, distante e sem respostas.
Um ciclo de desgaste
Desde 1º de janeiro de 2007, o PT governa a Bahia: foram dois mandatos de Jaques Wagner, dois de Rui Costa e agora Jerônimo Rodrigues. De quase 20 anos de hegemonia, apenas quatro não contaram com apoio do governo federal (2019 a 2022, durante o mandato de Jair Bolsonaro). Ou seja, tempo e poder não faltaram. O que faltou foi gestão.
Se me perguntarem o que causou o desgaste do governo do PT na Bahia, são inúmeros fatores. Mas acredito que segurança e saúde pública batem recordes de insatisfação. Da capital Salvador a Catolândia — o município com a menor população do estado — ou até mesmo na zona rural, a resposta será a mesma: segurança e saúde.
Segurança: a face da violência
A Bahia se consolidou como o estado mais violento do Brasil. Dos 20 municípios mais violentos do país, 11 estão em território baiano. A violência cresceu a tal ponto que o estado se transformou no paraíso das facções criminosas, que dominam bairros inteiros, impõem toque de recolher e ditam regras onde o governo é ausente.
Saúde: a fila da morte
A fila da regulação, apelidada de “fila da morte”, virou um símbolo cruel da ineficiência. Gente que agoniza sem conseguir atendimento, famílias destruídas pela demora e pelo descaso. Esse é o retrato da saúde pública baiana.
A população também cansou de ser enganada com promessas que nunca se concretizam, como a tão falada Ponte Salvador–Itaparica. O projeto virou bandeira política, propaganda eleitoral, mas não saiu do papel.
O eleitorado baiano e a relação com o PT
Sei que, ao publicar uma análise como essa, vão aparecer nos comentários alguns petistas apaixonados. Mas é preciso reconhecer: até os petistas mais coerentes sabem que o partido deve muito ao povo da Bahia. Foram milhões de votos ao presidente Lula ao longo da história e uma hegemonia de quase 20 anos no poder estadual. A Bahia sempre foi um dos pilares de sustentação política do PT.
Agora, ao que tudo indica, o povo cansou.
O discurso de culpar gestões anteriores não serve mais. A herança maldita é do próprio PT, que já governa a Bahia há quase duas décadas. Hoje, Jerônimo Rodrigues amarga o título de pior governador da nossa história, e arrasta junto a imagem de um partido que não entrega, não cumpre e não respeita os baianos.
Por isso, não é questão de futurologia. É constatação: o PT vai perder as próximas eleições na Bahia. Porque o povo já entendeu que não dá mais. O ciclo acabou.



