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Onde está o corpo de Fabiana? Polícia conclui inquérito de feminicídio no bairro de Periperi

Mesmo sem a localização dos restos mortais, a Polícia Civil comprovou a materialidade do crime. Laudos periciais identificaram vestígios genéticos da vítima em objetos apreendidos e sinais de tentativa de ocultação do cadáver
Foto: Reprodução

A Polícia Civil da Bahia esclareceu o desaparecimento de Fabiana Correia Cardoso, de 43 anos, ocorrido em setembro, e confirmou que a vítima foi assassinada. A investigação foi conduzida pela Delegacia de Proteção à Pessoa (DPP), vinculada ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), e resultou no indiciamento de dois homens pelo crime de feminicídio, além de ocultação de cadáver.

O inquérito policial foi finalizado e encaminhado ao Poder Judiciário, com posterior remessa ao Tribunal do Júri. Durante as apurações, a autoridade policial solicitou a prisão de dois investigados, ambos de 23 anos: o ex-companheiro da vítima e um primo dele. As prisões temporárias foram cumpridas nos meses de outubro e novembro e, em dezembro, convertidas em prisões preventivas, mantendo os acusados custodiados à disposição da Justiça.

O desaparecimento foi comunicado à polícia no dia 15 de setembro, após familiares relatarem a interrupção repentina de contato com Fabiana desde o dia 11, situação considerada incomum. Diante de indícios que afastavam a hipótese de afastamento voluntário, o inquérito foi instaurado no fim daquele mês.

De acordo com a diretora do DHPP, delegada Lígia Nunes de Sá, a elucidação do caso exigiu investigação técnica aprofundada, uma vez que não havia testemunhas presenciais nem localização do corpo. “A apuração foi baseada em provas periciais, diligências e na análise das contradições apresentadas pelos investigados”, explicou.

As investigações indicaram que o crime ocorreu no dia 11 de setembro, no interior de um estabelecimento comercial pertencente à vítima, no bairro de Periperi, em Salvador. Fabiana mantinha sociedade no local com o ex-companheiro, mesmo após o fim do relacionamento.

Segundo a Polícia Civil, o primo do ex-companheiro passou a frequentar o estabelecimento semanas antes do crime. Durante os interrogatórios, os dois investigados apresentaram versões divergentes, atribuíram responsabilidades um ao outro e tiveram seus relatos confrontados com os elementos técnicos reunidos ao longo da apuração.

O delegado André Carneiro, responsável pelo inquérito, destacou que a dinâmica do crime foi reconstruída a partir da análise conjunta de provas periciais, depoimentos e diligências de campo, o que permitiu estabelecer a cronologia dos fatos com precisão.

Mesmo sem a localização dos restos mortais, a Polícia Civil comprovou a materialidade do crime. Laudos periciais identificaram vestígios genéticos da vítima em objetos apreendidos e sinais de tentativa de ocultação do cadáver, incluindo o uso de equipamentos e locais para armazenamento e posterior destruição dos vestígios.

As investigações apontaram que, após o homicídio, os investigados adotaram diversas ações com o objetivo de dificultar a descoberta do crime, incluindo o transporte do corpo e o descarte dos resíduos em local público.

Segundo o delegado André Carneiro, a inexistência do corpo não impede a responsabilização criminal quando o conjunto probatório é consistente. “As provas reunidas são suficientes para demonstrar a ocorrência do homicídio e as condutas posteriores destinadas à ocultação do cadáver”, afirmou.

Com a conclusão do inquérito, os dois investigados foram formalmente indiciados por feminicídio e ocultação de cadáver.

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