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Por Anderson Santos: ACM Neto, Elinaldo e uma nova esperança para a Bahia

Este artigo não representa a opinião do Bahia No Ar. Trata-se exclusivamente da opinião do autor, Anderson Santos
Foto: Reprodução/Redes Sociais.

ACM Neto, Elinaldo e uma Nova Esperança para a Bahia: entre impérios que caem e rebeliões que nascem, o ciclo histórico que pode marcar 2026. Toda geração política vive seu próprio “Episódio IV”. Em Star Wars: Episode IV – A New Hope, o Império parecia invencível. Controlava a frota, o Senado havia sido dissolvido, as instituições estavam dominadas e qualquer resistência parecia irrelevante. O poder era centralizado, estruturado e permanente. Mas o Império não caiu por falta de força. Caiu porque se afastou da legitimidade. Porque concentrou demais. Porque confundiu controle com estabilidade. A história real mostra o mesmo padrão. O Império Persa sucumbiu quando suas elites se distanciaram das províncias.

O Império Romano, em sua fase final, tornou-se refém de disputas internas de poder e privilégios acumulados, enquanto a base social enfraquecia. Nenhum império rui apenas por ataque externo; ele primeiro perde sustentação das massas que julgava representar. Na ciência política existe um termo para esse fenômeno: plutocracia. Plutocracia é quando o poder deixa de circular amplamente e passa a ser concentrado em grupos restritos, organizados em círculos fechados de influência. Não é necessariamente uma ditadura formal. Pode existir dentro de democracias, quando a máquina pública e as decisões estratégicas ficam excessivamente vinculadas à autopreservação de uma elite dirigente. É nesse ponto que a analogia com a Bahia contemporânea começa a ganhar força no debate público.

Após quase vinte anos de hegemonia, consolidou-se uma estrutura política robusta, com Executivo forte, base legislativa ampla, presença institucional marcante e grande capilaridade administrativa. A alternância tornou-se rara. O sistema passou a funcionar com elevada capacidade de manutenção. E é justamente nesse ambiente que surge o paralelo com “Uma Nova Esperança”. ACM Neto, ao se posicionar como candidato ao governo do Estado, passa a representar, para parte significativa do eleitorado, a possibilidade de alternância de ciclo. Na narrativa simbólica, ele assume o papel de liderança da Rebelião, não como ruptura institucional, mas como reorganização de forças políticas que defendem mudança de direção administrativa. Ao seu lado, Elinaldo Araújo, pré-candidato a deputado estadual e fora das urnas desde 2020, simboliza algo próximo ao espírito de “O Retorno de Jedi”: a volta à disputa não como estreia, mas como reentrada experiente no cenário político.

Na saga, o retorno marca o momento em que a resistência deixa de ser dispersa e passa a agir de forma coordenada. 2026, dentro dessa metáfora, torna-se menos uma simples eleição e mais um episódio de transição histórica. De um lado, a continuidade de uma estrutura consolidada após duas décadas. De outro, a reorganização de um campo político que propõe alternância. A grande lição da história é simples: quanto mais concentrado se torna o poder, maior tende a ser a discussão pública sobre sua renovação. Impérios antigos, ao se fecharem em seus círculos de privilégio, ou “panelinhas”, aceleraram sua própria contestação.

A força excessivamente centralizada, paradoxalmente, costuma gerar reação proporcional. Nenhum sistema é eterno. Nenhuma hegemonia é imune ao desgaste do tempo. Em “Uma Nova Esperança”, poucos acreditavam que a Rebelião pudesse vencer. Em “O Retorno de Jedi”, o ciclo se completa quando o Império revela suas fragilidades. Se a analogia é válida ou não, será o eleitor quem decidirá. Mas a história, real e fictícia, ensina que todo ciclo prolongado inevitavelmente enfrenta seu apogeu e declínio. E 2026 tem tudo para representar o declínio de um grupo que, na visão do autor, se perdeu na lógica da concentração excessiva de poder, descrita como plutocracia.

Este artigo não representa a opinião do Bahia No Ar. Trata-se exclusivamente da opinião do autor, Anderson Santos

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