Sim. Esse é um artigo sobre moda. Ou melhor, como ela influencia e como é influenciada pelo mundo, a todo momento, seja qual for a época.

A minha paixão por moda vem de longas datas desde quando, ainda criança, acompanhava a minha mãe no seu atelier de costura entre tecidos, máquinas de costura, linhas, tesouras…. Era um gostar gratuito. Sem muitas reflexões ou intenções.

Tons neutros foram destaques nas Fashion Weeks de setembro 2020. Crédito: Foto Vogue.
Tons neutros foram destaques nas Fashion Weeks de setembro 2020. Crédito: Foto Vogue.

Hoje, vivendo nesse mundo e estudando cada vez mais sobre ele entendo que moda é muito mais que aquela blusinha verde neon na vitrine de uma marca reconhecida e objeto de desejo de muitas mulheres. Falar de moda é falar de cultura, política, economia, meio ambiente, inovação, tecnologia e acima de tudo, falar de pessoas.

Mas e Zeitgeist (pronunciamos: Zait Gaist)? O que esse termo significa?

É uma palavra em alemão que quer dizer espírito do tempo, ou seja, tudo que está acontecendo no mundo, a vibe que paira no ar, o mood da nossa casa, a Terra. É o que caracteriza uma época, como a sociedade vive, quais os seus desejos, seus medos, suas dores, seus objetivos, suas crenças e tudo isso tanto no âmbito coletivo como no individual do ser humano. Desenvolver um produto de moda é considerar o espírito do tempo de forma global, e também as peculiaridades de cada local e a partir daí criar algo inovador e que atenderá essa demanda.

E qual é o Zeitgeist de 2020?

Após mais de 7 meses de pandemia aqui no Brasil podemos dizer que o susto já passou, mas o vírus ainda existe. O isolamento social está mais flexível, considerando que muito lugares já abriram e estão funcionando para o público em geral. Mas e o consumidor? Será que ele é o mesmo? Seus desejos e anseios, assim como seus medos e dores se mantiveram intactos? A resposta é não.

Christian Siriano também apostou na diversidade na escolha das suas modelos. Crédito:  Foto Vogue.
Christian Siriano também apostou na diversidade na escolha das suas modelos. Crédito: Foto Vogue.

O que vi nas últimas semanas de moda de Nova Iorque, Londres, Paris e Milão é que a moda entendeu que seu consumidor é outro. Temas como otimismo, diversidade, ativismo político, sustentabilidade, resgate aos produtos feitos à mão, escapismo, simplicidade e o resgate a natureza (busca pelo bem estar) foram destaques nesses eventos que influenciam toda a cadeia da indústria da moda mundial. Conforto, praticidade e versatilidade das peças foram elementos presentes em muitos desfiles. Pude observar também um destaque para os tons neutros como o bege, branco e o cinza. Essas tendências demonstram que definitivamente esse cliente mudou. Ele tem refletido sobre tudo o que está vivendo e não quer mais comprar por impulso ou somente por alguma informação fashionista.

O consumismo desenfreado dá(finalmente) lugar ao consumo consciente.

É a moda influenciando com suas mangas bufantes e sendo influenciada pelo que está rolando nas ruas, nos hábitos e desejos das pessoas.

Todo esse fluxo de troca, de dar e receber, demonstra o quanto a Moda de futilidade não tem nada. Além da sua importância na economia mundial e brasileira, ela, através das roupas e dos seus produtos, conta a nossa História, fala sobre a nossa Arte, sobre a nossa Cultura.

Por isso, se antes era uma apaixonada por esse mundo efêmero da Moda hoje ela faz parte de quem sou, que pode ser percebido pelo o que eu visto.

E qual é a Moda que visto? A que acredita que todo esse processo pode ser diferente. Que podemos dar lugar ao conforto em contraponto a pura estética. Que podemos ser conscientes no lugar de consumistas. A que tem um potencial infinitamente transformador.

E você? Qual a Moda que você veste?

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